Entrelinhas 2 - Histórias Fantásticas

Autor: T.C. Oaks

Sinopse

Entrelinhas foram meus primeiros trabalhos publicados. Na época o Filho da Queda ainda era um embrião e Maudsley nem sonhava em existir! Entrelinhas era uma antologia de Crônicas e Contos sua publicação ocorreu no ano de 2012. Histórias Fantásticas foi uma homenagem a meus dois maiores heróis... Caso deseje adquirir uma cópia entre em contato no email. Abaixo você confere o conto completo. Boa Leitura.

Prólogo

Amo ler! Poucos prazeres se comparam com o ato de folhear páginas e mais páginas, visitando mundos mágicos e distantes. Chorar junto quando aquele personagem carismático morre vibrar com as palavras poderosas do herói, ou vibrar ainda mais com a morte do vilão intragável e nojento.
Gosto de livros grandes, e de preferência coleções, que contém a história do mesmo personagem em vários volumes, onde você acompanha o crescimento do herói, alguém que começa do nada e se torna uma lenda em seu mundo! Tenho uma fascinação por heróis desde a infância, comecei com quadrinhos e aos poucos fui para os livros. Sempre fui um fã do Herói clássico, Batman é legal, sombrio, mas o Super-homem sempre será o Super-homem!

Melhor ainda é quando você aguarda muito o lançamento de um livro, e finalmente chega o dia do seu lançamento. Foi assim, que na última sexta fui a uma megastore pegar meu livro (já comprado há um mês atrás). Nada de mandar entregar em casa, iria demorar a entregar, então, fui lá buscar o meu livro! Tirei o dia folga, desliguei o celular, troquei de roupa, uma bem confortável! E sentei em meu sofá, rasguei o pacote e adentrei ao maravilhoso mundo da leitura.

Li o prólogo, a emoção tomando conta, o último volume da coleção ainda fresco na memória já que toda vez que sai um novo volume releio todos os anteriores!

Mas então, o telefone de casa tocou.

Furioso, fechei meu livro e atendi ao telefone, nenhum cliente tinha meu número particular e qualquer um que tivesse esse número sabia que hoje só uma emergência me faria mudar os planos.

Era meu pai, Ligou-me me perguntando se eu podia ir à casa dele, pois ele precisava muito da minha ajuda. Perguntei: - Não dá para deixar pra amanhã? Com minha fome de leitura devoraria aquelas miseras quinhentas páginas no dia mesmo. Porém meu pai, obviamente veio com a resposta pronta: ”Sim Filho precisa ser hoje! Não dá pra esperar! ” Sempre tentei ser um bom filho, respeitar os Pais seguir o quarto mandamento, “Honra teu e tua mãe”. Dou a preferência aos mais velhos e tudo mais, mas as vezes pai e mãe abusam! Poxa vida era o meu dia com meu livro!

Paciência, falei que estava indo, mudei de roupa (o bem confortável para mim, é simplesmente impraticável com qualquer situação social), peguei meu livro, e fui aos meus pais.

Chegando lá meu pai me revela a terrível emergência: Eles haviam assistido a um programa na teve onde uma bendita receita da qual eles acharam divina fora passada, e agora queriam entrar no bendito site do programa para copiar os detalhes, e por alguma misteriosa razão astral, a internet decidira não funcionar! Com uma fúria azeda descendo pelo meu esôfago e alimentando minha gastrite coloquei em minha face um falso sorriso e fui ver por que razão a bendita rede mundial abandonara meus bons velhinhos e me impedira de ler minha maravilhosa história.

Entrei em meu antigo quarto, que exceto pelo fato da cama ter sido decorada para parecer um sofá, nada mudara, ok, eu mudara o computador, dando meu antigo aos meus pais, afinal o computador anterior possivelmente ainda funcionava a corda! E então, descobri porque a internet não funcionava: Um cabo! Simples assim, nada de conspiração mundial, nada de ataque terrorista, não, somente um abençoado cabo de rede desconectado. Depois de bravejar e amaldiçoar a incapacidade dos mais velhos com a tecnologia, arrumei o maldito cabo! Milagre: A internet voltara a funcionar! Felizes meus pais me pediram para acessar o site, e então imprimir a receita. Fiz tudo isso, rosnando e murmurando com braveza, cada click me afastando da minha leitura!

Quando finalmente ficaram satisfeitos, os dois foram alegres para a cozinha preparar o tal prato, aproveitei para ver meus e-mails, e me preparava para ir para o sofá, ler ali mesmo o livro, esparramei-me nele com tamanha força que algo caiu da estante de cima de mim.

Era um antigo álbum de fotografias. E lá dentro uma foto minha, com apenas quatro ou três anos, vestido de super-homem, meu pai me colocara segurando as grades da janela, e tirara a foto de lado de tal maneira que parecesse que eu estava voando.

Curioso, não me lembro de muita coisa, da minha infância, na verdade de quase nada antes dos cinco anos, mas me lembro desse dia. Lembro da alegria de ganhar a fantasia e de ter achado fantástico quando meu pai colocou-me nessa posição e que eu entendi sua brilhante ideia de me fazer voar! Muitas outras lembranças me vieram a mente, como uma horda de orcs invadindo a terra media, meu pai lendo para mim as histórias em quadrinhos do super-homem, fazendo as vozes dos heróis dos vilões e até a das mulheres num terrível falsete.

Lembrei-me de minha mãe lendo para mim histórias de Walt Disney e da coleção vagalume. Lembrei das horas em que ela passou em claro, cuidando das minhas febres, ou das minhas crises de bronquite.

Lembrei-me de ir ao cinema com eles, aos parques de diversão! O meu pai gemendo de medo na montanha russa, e eu vibrando. Ou então das manhas frias que ele acordava às cinco da manhã para me levar a escola do outro lado da cidade, escola a qual, eles tiveram que sujar o nome para pagar, para eu tivesse uma boa educação. Escola que eu odiava, mas que me ensinou quase tudo o que hoje sei!                     Lembro das madrugadas em que meu foi lá me buscar das baladas de adolescente, ou mais tarde quando eu me achava muito adulto e voltava de manhã das noitadas, que minha mãe deitada no sofá, me esperando se levantava e ia me preparar o café antes de eu dormir.

Lembrei-me também da Faculdade quando quis fazer publicidade, a que eu sonhava, e que meus pais sonhavam que eu fizesse Direito, mas ainda assim, meu pai me falou: É essa que você quer filho? Então faça! Ensinou-me a lutar pelos sonhos! A mesma faculdade (A melhor do ramo, que eles pagaram para mim até o fim), e que eu quis desistir, mas minha mãe olhou para mim e falou: Você queria essa faculdade é seu sonho, não é? Então lute por ele! Ensinando-me a ter perseverança.

Olhei para o espelho e vi ali o herói que tanto buscava nos livros e nunca havia percebido que estava bem ali na minha frente. Vi todo seu crescimento, seu desenvolvimento em trinta e dois volumes.

E entendi, que nesses trinta e dois volumes dois personagens já estavam bem mais velhos, aquele homem forte que eu tanto admirava, hoje já era um senhor, que aquela mulher valente, agora era uma senhorinha, percebi que um dia eles não estariam mais comigo, e que choraria muito mais, pela partida deles do que pelo grande e carismático personagem que morreria no meu livro. Percebi também que o grande vilão dessa história era a ignorância e o desprezo, que não me fazia dar valor aos heróis da minha vida.

Fechei meu livro, e deixei-o de lado, fui preparar o almoço com meus pais, eu teria a vida inteira para lê-lo.

O que Achou?