Grandes Influências: Bernard Cornwell

Grandes Influências: Bernard Cornwell

Uma biografia do maior autor da atualidade

Grandes Influências: Bernard Cornwell

Para a inauguração desse site, decidi falar um pouco sobre alguém que admiro e respeito, meu escritor internacional favorito: Bernard Cornwell.

Faz pouco tempo que li seu último livro das Crônicas Saxônicas e mais uma vez fiquei extasiado com ele. Um amigo me perguntou por que gosto tanto desse autor, então vou falar um pouquinho sobre esse mestre.

 

Biografia

Cornwell nasceu em 1944, em Londres, Inglaterra. Sua mãe, Dorothy Cornwell, trabalhava como auxiliar da Força Aérea Britânica em meio à II Guerra Mundial, quando conheceu um aviador canadense chamado William Oughtred (sim, Oughtred é a razão de o protagonista das crônicas saxônicas ser chamado de Uhtred) e tiveram um war baby (termo usado pelos britânicos para os bebês nascidos ilegitimamente nas duas grandes guerras mundiais). Ele foi entregue para adoção e, com isso, conheceu a família Wiggins, de Essex, que pertencia a uma seita religiosa chamada Peculiar People (Pessoas Peculiares), e, segundo o escritor, pertenciam mesmo. Eram muito rigorosos e reclusos, razão pela qual até hoje Cornwell é um ateísta convicto e deixa claro ter aversão a todas as religiões (uma curiosidade sobre isso: Cornwell é fã da mitologia nórdica, mas como conjunto de mitos. Quando perguntado a respeito da onda de neopaganismo que hoje se espalha pela Europa, ele disse: “os velhos deuses são tão úteis hoje como eram há séculos”).

Depois de fugir de sua família adotiva e tornar-se repórter da BBC, Bernard (que adotou o sobrenome de solteira da mãe como seu sobrenome) conheceu, na Irlanda, Judy, uma americana com quem viria a se casar. Eles foram morar nos EUA, porém Cornwell teve seu Green Card negado, e por causa disso se tornou um escritor, já que era uma das poucas profissões que ele podia exercer sem o visto de permanência. Ele e Judy continuam casados desde então.

 

Obras

Bernard Cornwell já escreveu diversos livros, sendo um ficcionista histórico apaixonado por guerras.

 

As Aventuras de Sharpe

Sua primeira saga foi As Aventuras de Sharpe, que, pasmem, ele continua escrevendo até hoje! Ela já conta com 24 livros, que retratam a vida do herói em diversos momentos, mas a história principal relata as guerras napoleônicas.

Não tenho muito o que falar dessa saga porque ainda não a li, mas com certeza o farei no futuro.

 

A Busca do Graal

Essa é a história de Thomas de Hookton, um arqueiro britânico em sua jornada em busca de vingança pelo homem que matou seu pai e que acaba se envolvendo numa busca pelo lendário Santo Graal. Essa história é brilhante! Mostra os horrores de uma Idade Média sem glamour ou cavaleiros em armaduras brilhantes; mostra a força avassaladora que eram os arqueiros ingleses, os longbowman, e por que esses homens eram tão letais com um arco.

Cornwell, em tudo o que faz, possui um humor ácido e irônico tipicamente britânico. Os personagens são extremamente coloridos, há padres corruptos e mulheres extremamente poderosas. A propósito, esta é uma característica do Cornwell que eu, em particular, adoro: a habilidade de mostrar como as mulheres conseguiam ser fundamentais numa sociedade totalmente patriarcal e violenta que as considerava inferiores a animais, porém sem levantar uma bandeira feminista e irreal para aqueles tempos.

É muito interessante também como ele retrata algumas brutalidades, como o estupro e a mutilação, mostrando-as como fatos casuais daquela época. Quando relata a Era das Trevas, Cornwell consegue fazer valer o termo.

 

As Crônicas Saxônicas

A atual série do autor mostra as aventuras de Uhtred Uhtredson, um personagem brilhante, genioso, intragável e arrogante, que te cativa desde a primeira página. Isto é algo que Cornwell faz muito bem: seus personagens são falíveis, cometem erros e são cheios de defeitos, porém têm um carisma absoluto. É impossível não se afetar pela escrita convincente do autor e não se cativar. Uhtred é o estranho no ninho, o cara que não deveria estar ali, e você compra sua luta no primeiro momento. O último livro da série até agora, O Guerreiro da Tempestade, é de longe o melhor, na minha opinião. Aliás, devo admitir, Cornwell tem uma capacidade de enrolar com estilo. Posso dizer que absolutamente nada aconteceu de importante nos últimos dois livros antes desse, mas ainda assim é delicioso ler essa história!

 

Guardei por último a cereja do bolo:

 

As Crônicas de Artur

Se eu tivesse que levar um livro para uma ilha deserta, com certeza seria um volume único dessa saga (o que não existe, já que o livro é dividido em 3 partes, então eu teria de levar 3 livros para uma ilha deserta, mas acho que vocês entenderam o que eu quero dizer =]).

 

As Crônicas de Artur retratam, para mim, a versão mais perfeita do Rei Artur. Derfel Cadarn, o protagonista dos livros, é um personagem tão marcante que até hoje sinto sua influência quando escrevo alguma história com tom medieval. O livro é impecável, a pesquisa histórica é brilhante e ele coloca o Artur de maneira tão realista e mística ao mesmo tempo que dá para acreditar que aquele homem existiu! Artur é tudo o que você espera do rei lendário, mas é também um homem que gosta do poder e um tanto quanto presunçoso.

E tem o Merlin. Meus amigos, que personagem! Ácido, genial, carismático e poderoso em todos os aspectos, acho que nunca ninguém retratará a majestade e grandiosidade de um mago como Cornwell fez com Merlin (por mais que Merlin seja na história de fato um druida).

 

Por que Cornwell me influencia tanto

Cornwell foi o último empurrão que me fez entender de fato que eu amava contar histórias. Houve outros três escritores que foram responsáveis por isso: Marcelo Cassaro, J.R.R. Tolkien e, finalmente, André Vianco, mas falarei sobre eles nos próximos posts. Cornwell, para mim, foi a perfeição: é o “cara que quero ser quando crescer”. Como eu disse anteriormente, ele tem a habilidade de escrever uma história em que nada acontece de fato e ainda assim é impossível deixar de acompanhá-la. Ele tem diversos personagens e cada um deles é tão vívido e real que você sofre com cada morte ou cada despedida quando a história acaba (ainda morro de saudades do Derfel).

E a prosa dele é tão vibrante e dinâmica! Ele equilibra a fantasia com a realidade de tal maneira que é impossível não acreditar no que você está lendo. E ele conduz e manipula o leitor com habilidade. Ele te faz rir, chorar ou ficar nervoso e angustiado. Tudo no seu trabalho é perfeito.

A propósito, aqui ficam os meus parabéns para a equipe de tradução de Alves Calado, porque o trabalho desses profissionais com esse autor é impecável! Já tive oportunidade de ler os livros do Cornwell em inglês, mas acabo esperando a versão nacional porque o trabalho de tradução deles é um primor.

Mas não posso deixar de falar também dos vilões!

Cornwell tem uma habilidade de criar vilões memoráveis e intragáveis! São personagens que você odeia página após página e, quando finalmente ele é derrotado, você vibra com cada morte! Sério, seus vilões, mesmo os adversários que não são o antagonista de fato, são tão vivos e fantásticos que eu nunca me canso deles!

Cornwell capta o espírito de uma época perdida com uma magia crua e enigmática. Traz as crendices de uma época perdida como ninguém nos oferece nos dias de hoje.

 

Se você nunca leu Cornwell, sugiro que comece por As Crônicas de Arthur, um livro maravilhoso e envolvente que retrata um dos personagens mais conhecidos e emblemáticos da literatura de uma maneira única que vai mudar sua concepção daquela época, em que um homem e uma espada moldavam o destino de um reino!

Galeria de Imagens

Deixe seu comentário