Mitos da Escrita: Falando sobre o que você conhece.

Mitos da Escrita: Falando sobre o que você conhece.

Será que precisamos escrever somente sobre o que conhecemos? Ou isso é só um mito?

Uma vez me disseram: “escreva sobre aquilo que você entende.”

É um pensamento comum entre escritores que, você precisa viver aquilo que você escreve. Já ouvi dizer que diversos escritores fazem imersões antes de escrever sobre um assunto, inclusive, viagens e outras experiências.

Eu mesmo faço isso, as vezes, mas acho essa experiência um pouco superestimada, ou ainda, exatamente romantizada.

Quando escrevi Maudsley vivi essa experiência: O local que viria a ser Aip Ion foi decidido, e basicamente toda a história reformulada, quando visitei o local que viria s ser a Cidade Oculta (não vou dar Spoilers, mas depois que você ler, recomendo a visita rsrs).

Contudo, todos os outros locais eu não tive tempo para visitar, e caso esperasse o momento de ir pessoalmente, eu ainda não teria escrito nem 10% do livro.

John Grisahm, um escritor americano, era um advogado e hoje escreve romances jurídicos. Ele tem um conhecimento profundo de sua área e não se aventura fora dela.

Mas quando penso em Tolkien, por exemplo, e sua linda Terra Média, aí as coisas ficam mais superlativas não é mesmo?

Tolkien criou sua Terra Média, para melhor desenvolver o élfico! Ele era linguista e desenvolveu sua língua por verdadeiro amor a criação de línguas. Por causa disso, ele foi fundo em sua paixão por mitologia nórdica e celta para assim desenvolver seu mundo. ENtretando, Tolkien não era geografo.

Lembro que vi um site falando como as montanhas de Mordor eram impossíveis de se formar naturalmente.

Mas venhamos e convenhamos, é nisso que você vai pensar ao ler o Senhor dos Anéis? “Essas montanhas são imprecisas geograficamente? REALY?!

Acho que mais importante do que um conhecimento profundo sobre o mundo, ou mesmo sobre técnicas específicas de algo, é preciso primeiro saber que história se vai contar. Mesmo que toda sua história se passe num ambiente específico, a história vem acima do fato.

CSI é uma série “procedural” ou seja,  é o padrão de serie americana que foca no ambiente de trabalho e como ele transcorre. Grey’s Anathomy é outro exemplo disso, porém focado num hospital e Suits, aborda a advocacia. Citando dois exemplos brazucas temos: Mandrake (advocacia no melhor estilo Brasileiro) e O Negócio, ambos da HBO, e excelentes naquilo que fazem.

Mas eles não se prendem a detalhes, em Mandrake por exemplo, você não o vê em nenhum momento num júri, até porque, isso funciona de maneira bem diferente no Brasil, que nos EUA.

Esse é ao meu ver o ponto importante: Um escritor é uma espécie de colcha de retalhos, ele precisa absorver todo o conhecimento e usá-lo a seu favor, nunca permitir que ele o limite.

Outro dia houve uma discussão num grupo de escritores do qual faço parte, um dos escritores escreveu: “Se eu abro um livro de autor nacional e vejo um nome como Mark ou Claire eu fecho na hora! Brasileiro tem que escrever sobre Brasil!” Ah cara sério?! Depende muito de sua história, depende de como você vai abordá-la e o que pretende fazer com a mesma, acho que é a história que define o regionalismo, e não a sua certidão de nascimento.

Gostava muito de um MMORPG chamado Erynia, era um World of Warcraft com saci: um mundo fantástico que usava elementos da mitologia do Brasil alterado. Outro jogo em desenvolvimento, fantástico, que está fazendo isso é Guerreiros Folclóricos (Ainda não conhece esse projeto? Clique aqui.)

Guerreiros Folclóricos pega elementos do folclore brasileiro e os converte para um jogo, no melhor estilo God of War! Absolutamente fantástico!

O que quero dizer com isso é: use seus conhecimentos para ajudar a sua escrita. Eu mesmo comecei a fazer um curso na Udacity, sobre marketing digital, tecnicamente é um curso para meu trabalho como publicitário, porém, muita coisa lá envolve o desenvolvimento de Storyteling, que é o ato de contar histórias, tenho pego muitas dicas interessantes que vão ajudar no meu livro, e até mesmo na criação de conteúdo para esse site. Duvida disso?

 

Bom, o que você está lendo nesse exato momento é um “lição de casa”. =)

 

A verdade é que um escritor não pode abrir mão do conhecimento que ele possui, mas também não se deve ser contido pela falta dele. Se sua história precisa de um ambiente mais CSI americano no Brasil, basta que você o faça de uma maneira crível: Faça o leitor comprar a sua ideia, apresente algo plausível e você verá os resultados.

Mas cuidado:

Uma vez que o leitor comprar as regras do seu mundo, o mesmo leitor pode reclamar quando você convenientemente esquecê-las. Uma das maiores criticas que o seriado Game of Thrones recebeu nessa 7a temporada, foi exatamente como eles conduziram a passagem de temo, e como algumas soluções foram quase um Deus Ex Machina (Sim, estou me referindo a Viação Dracaris).

Então é isso amigos: Use todos os seus conhecimentos a seu favor, mas mais importante que tudo isso, use sua criatividade e escreva grandes histórias!

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